Bahia tem 23 municĂpios com mais eleitores que habitantes em 2026
Bahia tem 23 municĂpios com mais eleitores que habitantes em 2026
Por producao ·

A Bahia possui mais de 11,3 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, o que corresponde a cerca de 76,1% dos habitantes do estado , conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂstica (IBGE). No entanto, apesar de a tendĂŞncia demográfica apontar para uma população residente superior ao eleitorado, 23 municĂpios baianos vĂŁo na contramĂŁo dessa estatĂstica.
De acordo com dados analisados pelo portal A TARDE , a cidade de Catolândia lidera a proporção de eleitores em relação ao nĂşmero de habitantes no estado. O municĂpio, que Ă© o menor da Bahia em nĂşmero de residentes, registra um percentual de 117,44% de pessoas aptas a votar para uma população estimada em 3.567 habitantes.
No cenário nacional, o nĂşmero de eleitores superou o de residentes em 733 municĂpios. Do total, 701 possuem menos de 10 mil moradores, sendo Mangaratiba (RJ) a maior cidade a registrar o fenĂ´meno, com 43,7 mil habitantes e 46,6 mil eleitores.
Redução na Bahia
A Bahia foi o Ăşnico estado nordestino a reduzir o nĂşmero de municĂpios com eleitorado superior Ă população estimada. Em 2022, o territĂłrio baiano contava com 36 cidades nessa condição, nĂşmero que caiu para 23 no pleito deste ano.
AlĂ©m de Catolândia, os municĂpios de Saubara (113,26%), Firmino Alves (111,44%), Muniz Ferreira (110,36%), Itanagra (109,99%) e Ibiquera (109,81%) figuram entre as cidades que registram mais eleitores do que habitantes. Todas se enquadram como municĂpios de pequeno porte, com menos de 15 mil moradores.
O levantamento analisado pela reportagem foi realizado pela AgĂŞncia Tatu, fruto do cruzamento entre os dados do eleitorado de 2026 apto a votar e as estimativas populacionais do IBGE.
FenĂ´meno demográfico, nĂŁo necessariamente fraude O fenĂ´meno nĂŁo expressa, obrigatoriamente, uma irregularidade eleitoral. MunicĂpios pequenos costumam perder população para centros urbanos maiores, e os cidadĂŁos que se mudam nem sempre transferem o tĂtulo de eleitor.
Dessa forma, o cidadĂŁo permanece registrado na localidade de origem, mesmo já residindo em outro municĂpio. Para a cientista polĂtica Luciana Santana, apesar do desbalanço numĂ©rico, o fenĂ´meno merece investigação e monitoramento contĂnuo , pois reflete transformações demográficas, movimentos migratĂłrios e a dinâmica de constituição dos vĂnculos eleitorais no paĂs.
“Esse fenĂ´meno pode produzir alguns efeitos relevantes. Em municĂpios pequenos, poucos votos podem definir uma eleição, de modo que um contingente expressivo de eleitores que nĂŁo reside cotidianamente na cidade pode alterar a dinâmica da competição eleitoral. Isso reforça a importância das redes familiares e dos vĂnculos locais, bastante caracterĂsticos de parte do Nordeste”, explicou Luciana.
Outra parte da explicação reside no calendário e nas articulações polĂticas locais. Em cidades de pequeno porte, nas quais disputas para a prefeitura e câmaras municipais sĂŁo decididas por poucas dezenas de votos, lideranças atuam ativamente para incentivar que eleitores com laços afetivos ou familiares mantenham ou transfiram seus domicĂlios eleitorais para o municĂpio.
Voto em trânsito Durante visita Ă sede do portal A TARDE , o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador MaurĂcio Kertzman, destacou que o prazo para solicitação do voto em trânsito teve inĂcio no dia 20 de julho e segue disponĂvel atĂ© 20 de agosto . Segundo o magistrado, o requerimento pode ser realizado de forma inteiramente remota.
“Nesse perĂodo, o eleitor que nĂŁo está na sua cidade, ou está em outro estado, pode pedir o voto em trânsito. Ele pode utilizar o aplicativo do TSE, pode se dirigir a qualquer cartĂłrio eleitoral e pode tambĂ©m fazer pelo site do TSE. É importante a participação de todos os eleitores nas eleições”, explicou Kertzman.